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CURSO FOTOGRAFIA JÁ

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS.

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fotógrafo lambe-lambe

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Fotógrafo lambe-lambe em Porto Alegre.
Um fotógrafo à la minute em Matosinhos (2010).
Um minutero (em espanhol) em Santiago do Chile.
O fotógrafo lambe-lambe (português brasileiro) ou fotógrafo à la minuta (português europeu), é um fotógrafo ambulante que exerce a sua atividade nos espaços públicos como jardins, praças, feiras.
Presente a partir do século XIX nos espaços públicos, teve um papel importante na popularização da fotografia.
A origem do termo no Brasil
Existem diferentes explicações para a origem do termo. A mais comum, é a de que sa lambia a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão ou se lambia a chapa para fixá-la.
História
Os fotógrafos ambulantes surgiram nas primeiras décadas do século XX, trabalhando em praças e parques. Eram quase sempre procurados para registrarem momentos especiais, familiares ou para tirar retratos para documentos do tipo 3x4.1
Equipamento
O equipamento fotográfico, conhecido como máquina-caixote, é revestido com couro cru, madeira ou metal e coberto na parte posterior com uma espécie de saco negro, com três aberturas: dois orifícios para os braços e um para enfiar a cabeça na hora de bater e revelar as fotografias1 .
Além de ser utilizada para o registro fotográfico, também servia para mostruário, com as laterais cobertas de fotos1 .
Processo
Para se obter uma fotografia convencional são essenciais o processo de revelação, fixação e lavagem.
A revelação ocorre quando a película é submetida à solução alcalina capaz de transformar os sais de prata sensibilizados pela luz em prata metálica.
A fixação ocorre quando a película revelada é submetida a uma solução ácida de tiossulfato de sódio, agente que em contato com um sal de prata tende a formar um tiossulfato de prata, decompondo-se rapidamente em sulfeto de prata e ácido sulfúrico. Sem a fixação a vida útil de uma fotografia fica reduzida a poucos minutos.
Os tiossulfatos complexos de prata têm sabor doce; o tiossulfato de sódio é amargo; o tiossulfato de prata tem sabor metálico desagradável.
A fixação consiste na formação de complexos de tiossulfato solúveis, que serão eliminados durante a lavagem da fotografia. Se a fixação tiver sido completa, os sais doces solúveis serão eliminados facilmente na lavagem. Esse processo tornará o tempo de vida útil da fotografia indeterminado. Caso contrário, os sais amargos insolúveis bem como os de sabor metálico não poderão ser eliminados. Neste caso, a vida da fotografia estará seriamente comprometida.
Etimologia (Brasil)
As circunstâncias exigiam tempo mínimo de lavagem e mínima quantidade de água. Portanto, para garantir a qualidade do trabalho, eles tocavam a língua nas fotos durante a lavagem para avaliar a qualidade da fixação e da própria lavagem. Os clientes e passantes que viam aquela cena não podiam entender por que aquele homem a cada instante "lambia" as fotografias.
Patrimônio imaterial (Brasil)
Em 2012, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte concluiu, junto ao IEPHA, o processo de registro do ofício do fotógrafo lambe-lambe como bem cultural imaterial. O documento foi elaborado entre 2008 e 2011, em três etapas: levantamento preliminar, identificação e documentação.2 O registro foi acompanhado da exposição fotográfica "Fotógrafo lambe-lambe: retratos do ofício em Belo Horizonte", realizada na Casa do Baile.3
Na cultura popular
No livro "Bem do Teu Tamanho" escrito por Ana Maria Machado e publicado em 1974, a personagem principal, Helena, mantém diálogo com um fotógrafo lambe-lambe.4 5
Referências
    ↑ a b c Os lambe-lambe. Portal EduKbr.
    ↑ Iepha/MG informa: Lambe-lambes agora são patrimônio imaterial de BH. IEPHA/MG (15 de março de 2012).
    ↑ Fotógrafo lambe-lambe: retratos do ofício em Belo Horizonte. Agenda BH.
    ↑ Ana Maria Machado. Portal EduKbr.
    ↑ Ana Maria Machado. Bem do Teu Tamanho. [S.l.]: Brasil-América, 1974.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Cenas Nú.Médios audiovisuais.

Nu reclinado, Amélie (1852), de Félix-Jacques Moulin.
Além de na pintura e na escultura, o nu também se desenvolveu em outras artes, da dança e o teatro até novos meios e técnicas como a fotografia, o cine, a televisão e a revista em quadrinhos. Nestes meios, especialmente desde o século XX, o nu costuma estar vinculado ao erotismo, que representa um forte reclamo a nível comercial, pelo qual foi profusamente usado pela publicidade. Nestes meios costuma percorrer-se a atores e modelos fisicamente atraentes, cobrando um grande auge nos últimos tempos a demanda de imagens de celebridades despidas no novo meio de comunicação de massas, internet. Também proliferaram desde meados do século XX as revistas eróticas, como Playboy, Penthouse e Hustler, que oferecem imagens de modelos despidas e implicaram um marco na educação sexual de muitos adolescentes. Contudo, não todo o nu é erótico, e numerosos artistas trataram o tema do corpo humano despojado de roupa como metáfora da vulnerabilidade do corpo e da fragilidade da vida.
Fotografia
Os dois caminhos da vida (1857), de Oscar Gustav Rejlander.
A aparição da fotografia implicou uma autêntica revolução no terreno das artes plásticas, pois por diversos procedimentos técnicos permitia que qualquer pessoa, ainda sem formação artística, captasse imagens de uma forma muito mais realista que qualquer pintura. A fotografia moderna começou com a construção do daguerreótipo por Louis-Jacques-Mandé Daguerre, a partir do qual se foram aperfeiçoando os procedimentos técnicos. Em que pese a ser uma realização puramente técnica, cedo foi vislumbrada a potencialidade artística deste novo meio, pois a obra resultante podia ser considerada artística enquanto inclui a intervenção da criatividade da pessoa que capta a imagem, derivada do trabalho de percepção, design e narratividade efetuada na tomada da imagem. Assim, cedo a fotografia passou a ser considerada uma das artes, concretamente a oitava.nota 6 No século XX estendeu-se notavelmente o seu uso, pois as contínuas melhoras técnicas em câmaras permitiam um uso generalizado desta técnica a nível amador. A sua presença foi essencial em revistas e jornais, assumindo os mídia um papel preponderante na cultura visual do século XX.
Contudo, no terreno do nu a fotografia encontrou mais travas que nas artes tradicionais, nas que era um tema frequente e respeitado pelos meios acadêmicos, principalmente pelo realismo das suas imagens, e pela conotação moral que supunha que uma pessoa se despisse para ser captada pela câmara. Isto levou a fotografia do nu a ser considerada meramente pornografia, e a ser relegada a circuitos clandestinos. Praticamente até o século XX não alcançou a fotografia de nu um status de obra artística, especialmente graças a numerosos criadores que a conceberam esteticamente e depurada de qualquer conotação sexual. Na fotografia de nu é importante o processo de composição e iluminação, assim como de retoque, para conseguir os efeitos desejados, pois por ser um meio intrinsecamente realista capta o corpo humano com todas as suas imperfeições, feito aceite por alguns artistas, que preferem mostrar uma imagem mais aperfeiçoada, derivada dos cânones estéticos que o nu procurou à arte desde o idealismo da arte clássica.
Fotografia de modelo e desenho baseado na fotografia, de Alfons Mucha (1928).
Desde os seus começos, a fotografia esteve estreitamente relacionada à pintura, e muitos artistas começaram a inspirar-se em fotografias para elaborar as suas obras: assim, Eugène Delacroix chegou a confessar no seu Diário que tiveram muita utilidade para a sua obra umas fotografias de nus masculinos realizadas por Jules-Claude Ziegler. O pintor romântico baseava-se muitas vezes em fotos para estudar os pormenores das obras que ia realizar, afirmando que “luzes e sombras adquirem o seu verdadeiro sentido e dão o grau exato de firmeza e de brandura”. No impressionismo, numerosos artistas basearam-se igualmente na fotografia, como Edgar Degas, Camille Pissarro ou Pierre-Auguste Renoir. Alfons Mucha, um dos melhores desenhistas e ilustradores do modernismo, dedicado especialmente ao cartazismo e as artes gráficas, baseou-se frequentemente na fotografia para muitas das suas composições, empregando uma enorme câmara de fole, com a que obtinha imagens que lhe serviam para as suas realizações artísticas.
Á procura de uma maior artisticidade que outorgasse categoria às suas obras, na segunda metade do século XIX muitos fotógrafos basearam-se em técnicas artísticas para realizar muitas das suas composições, outorgando um certo ar pictórico às suas obras, no que a composição e o jogo de luzes e sombras estão inspirados nos grandes gênios da pintura. Portanto, esta corrente foi denominada fotografia academicista, com representantes como André Adolphe Eugène Disderi, Émile Bayard, Eugène Durieu e Gaspard-Félix Tournachon.Um dos primeiros fotógrafos em dedicar-se com assiduidade ao nu foi Félix-Jacques Moulin, quem em 1849 abriu uma loja no bairro parisiense de Montmartre e começou a produzir daguerreótipos de senhoritas jovens em diversas poses. Contudo, em 1851 o seu trabalho foi confiscado, e foi sentenciado a um mês de prisão pelo caráter “obsceno” das suas obras. Outro pioneiro do nu fotográfico foi Oscar Gustav Rejlander, que em 1857 realizou um trabalho alegórico intitulado Os dois caminhos da vida, cujo objetivo é oferecer uma mensagem moral ao mostrar o mal à esquerda e o bem à direita, de jeito mais luminoso, no que se encontram a virtude, o trabalho e os bons costumes; porém, dado que a imagem mostra uma parcial nudez, provocou um escândalo social, sendo acusado de empregar prostitutas como modelos.
Mulher baixando uma escada (1887), de Eadweard Muybridge.
Outro terreno de representação nudista foi o da experimentação científica, sendo de relevância os estudos de Eadweard Muybridge sobre o movimento humano, a partir de uma técnica denominada cronofotografia, que permitia captar o movimento mediante sucessivas tomadas instantâneas, experimentos que serviram de base para a posterior descoberta do cinematógrafo. Muybridge dedicou-se a registrar os movimentos dos seres humanos e dos animais do zoológico de Filadélfia, publicando os seus resultados em 1887 no livro Locomoção animal, que inclui nus como Dois homens nus lutando e Mulher baixando uma escada.
Entre o final do século XIX e o começo da Primeira Guerra Mundial desenvolveu-se o pictorialismo (do inglês picture, “imagem”), movimento que visava reivindicar a fotografia como um meio artístico que requeria de umas capacidades especiais —com especial ênfase nos valores intrínsecos da fotografia como arte—, afastando-a do amadorismo. Estes artistas distanciam-se da realidade para que as suas tomadas sejam imagens compositivas e não uma mera reprodução do ambiente físico, motivo pelo qual buscam deliberadamente o efeito floue, com uma forte influência do impressionismo. Alguns fotógrafos desta corrente realizaram nus de indubitável artisticidade, com o que o nu fotográfico começou a ser considerado uma arte afastada da simples pornografia, destacando-se Robert Demachy, muito conhecido pelas manipulações das suas obras proporcionando um acabamento similar às pinturas, e Alfred Stieglitz, primeiro em explorar a qualidade estética do estudo de fragmentos isolados do corpo humano. Os fotógrafos pictorialistas foram os primeiros em conseguirem introduzir o nu fotográfico em exposições e eventos artísticos de importância.
Em princípios do século XX, e em paralelo às vanguardas artísticas, a fotografia passou a ser um meio de inovação e experimentação artística, com novas técnicas e procedimentos como o fotomontagem. Um destes pioneiros foi Man Ray, impulsionador do dadaísmo e do surrealismo nos Estados Unidos, que chegou a fazer fotografias sem câmara, pondo objetos sobre apelícula e expondo-os por segundos à luz, criando imagens ambíguas entre a figuração e a abstração. Um exemplo desta experimentação com a luz é Beleza ultravioleta (1931). Uma das suas obras mais famosas é Le Violon d'Ingres (1924), onde retratou a sua modelo e amante Kiki de Montparnasse na postura da célebre pintura A Banhista de Valpinçon de Jean Auguste Dominique Ingres, mas sobrepondo sobre as costas despidas da modelo os dois “f” de um violoncelo.
Quanto ao expressionismo, destacou-se o tcheco František Drtikol, especializado no nu e no retrato. Influenciado pelo romantismo e pelo simbolismo, foi evoluindo para uma maior preocupação pelo espaço e pelas possibilidades arquitetônicas da luz. Emmanuel Sougez defendeu os princípios da Nova Objetividade, considerando a fotografia como uma arte autônoma. As suas primeiras fotografias tinham como tema principal a natureza morta e o nu, empregando uma estética austera e puramente fotográfica.
Nu masculino recreando A Criação de Adão de Michelangelo (1870), de Gaudenzio Marconi.
O nu masculino na fotografia não foi tão habitual quanto o feminino, mas teve uma produção constante durante toda a história da fotografia, especialmente em relação à arte homoerótica. O nu masculino não tinha em princípio tanta aceitação como o feminino, considerado o paradigma da beleza pela sociedade do século XIX, com uma visão ainda fortemente machista dos roles sexuais, na qual a possível sensibilidade para temas eróticos por parte da mulher não era considerada. Um dos pioneiros foi Gaudenzio Marconi, que retratou homens nus em poses imitadas das grandes obras de arte, como A Criação de Adão de Michelangelo (1870) ou A Idade do Bronze de Rodin (1877). Eugène Durieu também realizou fotografias com a intenção de servir de modelos para os artistas, ao jeito das academias desenhadas. Outro tipo de fotografias eram as que tinham fins científicos, como os estudos de movimento de Eadweard Muybridge, ou os estudos etnológicos e do âmbito desportivo. Pouco a pouco estas fotografias adquiriram maior artisticidade, e começaram a ser aceites como produtos estéticos, como se percebe na publicação Le Nu esthétique (1902), de Émile Bayard. Entre final do século XIX e princípios do XX foi desenvolvido o nu masculino, concebido plenamente como imagens evocadoras da beleza masculina, desenvolvido por fotógrafos como Wilhelm von Gloeden, Wilhelm von Plüschow, Fred Holland Day, Vincenzo Galdi, etc. Após a Primeira Guerra Mundial começou o culto ao corpo, pondo-se de moda o nudismo e a cultura física, os corpos musculosos e varonis frente ao efébico modelo da fotografia artística anterior. Um dos fotógrafos que melhor retrataram esta estética foi Kurt Reichert. Esta tendência ressaltou-se após a segunda contenda mundial, onde o culturismo pôs de moda um corpo excessivamente musculado, que recebeu a alcunha beefcake (“pastel de carne”), representado por fotógrafos como Bob Mizer e Bruce Bellas. Posteriormente, o nu masculino foi adquirindo com o tempo o mesmo nível de artisticidade e aceitação social que o feminino, enquanto foi adquirindo cada vez maior explicitude —como no terreno da ereção, até então um tema tabu—, sendo praticado por fotógrafos do nível de George Platt Lynes, Carl Van Vechten, Herbert List, Bruce Weber, Roy Blakey, etc. Um dos mais famosos e controversos foi Robert Mapplethorpe, dedicado especialmente ao nu de homens afroamericanos, com uma obra de fortes conotações sadomasoquistas.
Atualmente, o nu artístico é plenamente aceite na sociedade ocidental, e é frequente a sua presença nos mídia e na publicidade, com três modalidades principais: o nu abstrato, o nu erótico e o nu desportivo; e três setores principais de aplicação: o nu puramente artístico, o nu publicitário e o nu editorial.3 Um dos mais afamados fotógrafos da segunda metade do século XX foi Helmut Newton, criador de um estilo próprio, cheio de glamour e sedução, com belas mulheres em ambientes luxuosos, e uma certa tendência para o fetichismo. Os seus modelos costumam ser de complexão atlética, mas elegantes e sofisticadas, como se viu na sua série de Big nudes (“grandes nus”) dos anos 1980.
Entre 1970 e 1980 foi destacada a obra de David Hamilton, arquiteto e decorador —foi diretor artístico das revistas Elle e Queen— antes de se iniciar na fotografia de jeito amador. Em 1962 adquiriu a sua primeira câmara, com a que desenvolveu um estilo de fotografias de tom luminoso, com cores suaves e um grão grosso —técnica que passou a ser denominada “atmosfera hamiltoniana”—, com uma estética algo naïf, e preferência pelos disparos ao ar livre, com especial predileção pelos ambientes mediterrâneos da Costa Azul francesa. Contudo, a sua obra esteve embaciada por retratar em numerosas ocasiões a novos adolescentes, apresentadas em poses naturais e algo ingênuas. Diretor de cine além de fotógrafo, realizou filmes como Bilitis (1977), Laura (1979) e Tenras primas (1980).
Outros fotógrafos destacados destes anos foram: Peter Lindbergh, considerado como um dos melhores fotógrafos de moda do mundo da década de 1990; Herb Ritts, fotógrafo de modas; Jiří Růžek, especialista em nu artístico e glamour, com uma sutil e delicada sensualidade carregada de erotismo; Helena Almeida, pintora e fotógrafa que incorpora pigmentos e materiais próprios das artes plásticas nas suas obras, que costumam ser auto-retratos; Nobuyoshi Araki, interessado pelo sexo e a morte, com uma controversa obra de forte natureza sado-masoquista; Narcis Virgiliu, com uma obra de um certo tom surrealista e abstratizante, com referências a temas mitológicos —como os mitos de Sísifo e Pigmalão— ou à relação entre a vida e a natureza; Wacław Wantuch, autor de nus semelhantes a esculturas, com um especial cuidado na iluminação e buscando ângulos espetaculosos; Misha Gordin, pioneiro do nu conceptual, com surpreendentes imagens elaboradas num quarto obscuro tradicional com a técnica de mascaramento.
Cabe sublinhar o trabalho de Spencer Tunick, conhecido pelas suas fotografias de grandes massas de gente despida dispostas em diversas localizações urbanas, variando a postura e disposição das pessoas, geralmente voluntários que acodem a um ato artístico concebido quase como uma performance ou instalação. Começou em 1992 fotografando pessoas despidas pelas ruas de Nova York, passando posteriormente a outros estados de América do Norte, no seu projeto denominado Naked States (“Estados nus”). Mais tarde fez uma gira internacional, à que denominou Nude Adrift (“Nu à deriva”). Em 2003 chegou a fotografar 7000 pessoas despidas em Barcelona, um record superado em 2007 na Cidade do México, com 19 000 participantes. Tunick converte o corpo em parte integrante da cidade, da paisagem, buscando transcender a essência da materialidade humana, pois a perda da individuação no grupo metamorfoseia a corporeidade numa entidade superior, de ordem espiritual, onde se desenfeitiza o corpo nu, que se torna num veículo para a arte.Cine
Inspiração (1915), primeira filme americano não pornográfica que continha cenas de nu.
O cine, técnica baseada na reprodução de imagens em movimento, surgiu com o invento do cinematógrafo pelos irmãos Lumière em 1895. Se bem que em princípio unicamente implicava a captação de imagens do natural, como se fosse um documentário, de seguida a cinematografia evoluiu para a narração de histórias, com processos técnicos como a montagem, que permitiam rodar cenas e ordená-las de modo que apresentasse uma história coerente. Com a incorporação de elementos tomados do teatro —processo iniciado por Méliès—, o cine alcançou um grau de autêntica artisticidade, sendo batizado como o “sétima arte”.nota 7
O nu no cine esteve frequentemente ligado ao cine erótico e pornográfico, embora numerosos filmes comerciais apresentaram nus parciais ou totais por “exigências do roteiro” . Já nos primeiros anos, no chamado “cine mudo”, encontram-se diversos casos sobretudo na indústria norte-americana de Hollywood: Inspiração (1915), foi o primeiro filme não pornográfico que apresentou cenas de nu, ao qual se seguiram casos como Hipócritas (1915), A filha dos deuses (1916), etc. Contudo, entre 1934 e 1960 o nu foi proibido nos Estados Unidos pelo Código de produção cinematográfica, também conhecido como Código Hays. Fora deste código encontravam-se os filmes nudistas, concebidos para difundir este estilo de vida, embora em numerosas ocasiões servissem de pretexto para mostrar nus de jeito pouco justificado.
O imoral Mr. Teias (1959) de Russ Meyer, foi a primeira longa-metragem não naturista que exibia abertamente a nudez e, embora fosse qualificado de pornográfico, deu origem a um gênero chamado Nudies ou Nudie-cuties, com filmes como The adventures of Lucky Pierre (1961). Nos anos 1960 surgiu um gênero denominado sexploitation, mistura de sexo e violência, com exemplos como ' Sexploiters (1965). Também nos 1960 começaram a surgir nus em filmes correntes do circuito comercial, tratados com maior naturalidade, como em Peeping Tom (1960), que contém a primeira cena de nu feminino num filme do pós-guerra, à qual se seguiram: Promessas! Promessas! (1963), Midnight Cowboy (1969), Laranja Mecânica (1971), etc.
Na Europa, o nu no cine teve uma evolução paralela, com maior ou menor intervenção da censura ou da qualificação de filmes segundo os diversos países. O primeiro nu feminino integral foi protagonizado pela atriz Hedy Lamarr no filme Êxtase, dirigida por Gustav Machatý em 1933, que chegou a ser condenada pelo Papa Pio XI. Outros exemplos de nu no cine europeu são: Lui, Se Se (1952), Verão com Monika (1953), , Belle de jour (1967), etc. Mulheres apaixonadas (1969) gerou polêmica por mostrar nus masculinos frontais numa cena de luta entre Oliver Reed e Alan Bates; Glenda Jackson ganhou o Óscar à melhor atriz no filme, o primeiro ator que o ganhou por um papel que incluía cenas de nu. Último tango em Paris (1973), de Bernardo Bertolucci, foi um dos primeiros filmes comerciais em mostrar o nu sem rodeios, em paralelo à revolução sexual propugnada pelo movimento hippie, e propiciou o boom do cine erótico, em voga entre 1970 e 1980, com filmes como Emmanuelle (1974) e História de O (1975), de Just Jaeckin, O Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima, e Calígula (1979), de Tinto Brass.
Passados os anos em que o nu no cine era motivo de escândalo e provocação, atualmente a sua presença é assumida com certa naturalidade, sendo frequentes os filmes nos quais o nu se mostra em cenas que assim o requerem, como as que transcorrem na natureza, quer no banho ou em cenas de amor. Assim, por exemplo, A lagoa azul (1980), de Randal Kleiser, mostra o despertar do instinto sexual em dois náufragos numa ilha tropical, onde o nu é parte consubstancial do ambiente natural em que se movimentam. A Bela Intrigante (1991), de Jacques Rivette, mostra a relação entre um pintor e a modelo, que posa despida para ele e volta-o motivar após uma etapa de falta de inspiração do artista. Igual ocorre em Titanic (1997), de James Cameron, no que Kate Winslet posa despida para que a desenhe Leonardo di Caprio. Estes filmes evidenciam a estreita relação entre o cine e a arte tradicional, que no âmbito do nu artístico deixou realizações como As Aventuras do Barão Munchausen (1988), de Terry Gilliam, onde aparece Uma Thurman posando como a Vênus de O Nascimento de Vênus de Botticelli.
Assim, nestes últimos anos não é estranho encontrar cenas de nu em filmes comerciais como Splash (1984, Ron Howard), Nove semanas e meia (1986, Adrian Lyne), Instinto básico (1992, Paul Verhoeven), Prêt-à-Porter (1994, Robert Altman), The Full Monty (1997, Peter Cattaneo), Eyes Wide Shut (1999, Stanley Kubrick), etc. Atualmente, o nu é até mesmo uma forma de cotização para atores e atrizes, pois é um forte reclamo para o público, existindo a opinião de que um dos fatores do Óscar à melhor atriz para Halle Berry por Monster's Ball (2001) foi a sua aparição despida no filme.162 Um dos filmes com maior número de nus coletivos —requereu 750 extras— foi O perfume (2006), de Tom Tykwer, onde na cena final, em que o assassino vai ser justiçado, este espalha uma fragrância que hipnotiza o público assistente, que se põe numa desenfreada orgia que permite o prófugo escapar.
O nu masculino, embora não tão frequente quanto o feminino, também esteve presente em numerosas produções, praticado por atores como: Richard Gere (American Gigolo, 1980), Arnold Schwarzenegger (Terminator, 1984), etc.164Artes cênicas
Josephine Baker na revista Un vent de folie (1925).
O nu é também um recurso habitual nas artes cênicas como o teatro e a dança, especialmente desde meados do século XX. Nestas formas artísticas o corpo tem uma especial relevância, pois é transmissor, pelos seus gestos e movimentos, de uma grande quantidade de expressões e sentimentos. No teatro, onde se encena um conto ou drama literário, o nu pode estar justificado —como no cine— pelo roteiro, em cenas no âmbito doméstico ou qualquer situação que o requeira. O nu teatral adquiriu um grande auge nestes últimos tempos graças ao teatro experimental e à influência do happening e a performance, espetáculos que pela sua representação ante um público têm um forte componente teatral. Em tais casos a nudez é empregue como forma de provocação, de impactar o público, de pôr em dúvida os convencionalismos sociais.
Contudo, o nu chegou também ao teatro clássico, em casos como o papel de Desdémona representado pela atriz Sarah Stephenson na montagem do Otelo de Shakespeare efetuado no Mermaid Theatre de Londres em 1971. Em 2007 houve uma grande polêmica pela aparição de Daniel Radcliffe nu na obra Equus, dirigida por Peter Shaffer no Gielgud Theatre da capital inglesa. Radcliffe insistiu em que o nu era somente um elemento mais na obra. A obra conseguiu um enorme sucesso, tanto de público como de crítica.
Na dança, o nu adquire um especial significado, pois é uma forma de expressão do corpo humano, que é o instrumento do qual se servem os bailarinos para mostrar a sua arte. As técnicas de dança requerem grande concentração para dominar todo o corpo, com especial insistência na flexibilidade, na coordenação e no ritmo. Na antiga Roma era frequente que as dançarinas se despissem, especialmente nas festas saturnais e lupercais, sendo prova do seu sucesso o que chegassem até a atualidade os nomes de algumas destas bailarinas, como Taletusa e Cíteris.
No século XX buscaram-se novas formas de expressão baseadas na liberdade do gesto corporal, liberto das ataduras da métrica e do ritmo, adquirindo maior relevância a auto-expressão corporal e a relação com o espaço. Isadora Duncan foi uma das principais promotoras do nu na dança, bailando em numerosas ocasiões seminua ou com finas telas transparentes, como se podia constatar nos copos e nas cerâmicas da Grécia Antiga, com a pretensão de romper com o academismo e a rigidez do ballet clássico.168 Desde então a nudez na dança contemporânea oscilou segundo a época, aparecendo à época de liberdade e aberturista social, e retraindo-se em períodos de moral mais puritana. Em tempos modernos o corpo nu foi usado por coreógrafos como Jan Fabre, Daniel Léveillé, Maureen Fleming, Lia Rodríguez, Alban Richard, Eléonore Didier, Anna Ventura, Kataline Patkaï.
O nu foi adquirindo relevância na dança especialmente desde a década de 1960, concebido como a mais pura forma de expressão do corpo. Se nos 60 estava em consonância com a libertação sexual, nos anos 1980 teve certo aspecto de reivindicação política, enquanto atualmente é uma mera escolha estética. Para a historiadora Rose Lee Goldberg, a nudez seria uma reação contra a excessiva técnica dos meios audiovisuais, afirmando que “é como se cada certo tempo precisássemos lembrar que a coreografia tem a ver com o corpo”.
Ainda que atualmente seja frequente a nudez na dança, há alguns anos era um tema incômodo, até mesmo para coreógrafos inovadores como Merce Cunningham, que no seu balé Rain Forest (1968), no qual colaborou com o artista pop Andy Warhol, frente à sugestão deste de que os bailarinos atuassem nus, decidiu usar malhas de cor pele, que em algumas cenas estavam cortadas para dar a sensação de aranhões na pele. Em 1970 Yonne Rainer apresentou no Judson Flag Show a bailarinos nus sob bandeiras norte-americanas, que gerou uma grande polêmica. Porém, pouco a pouco a nudez foi ganhando terreno: nos 1980, a companhia Dancenoise, formada por Lucy Sexton e Anne Iobst, usou a nudez como uma ferramenta integral, junto a uma estética punk e outros elementos de grande impacto, como o sangue, em espetáculos próximos da performance. Para Sexton, “a nudez de seguida converte-se em vestuário, e essa é a natureza de estar nu no palco: há um momento inicial em que se abre a porta e cai algum tipo de barreira entre o artista e o público. Eles estão nervosos e excitados e ao artista acontece o mesmo, e elimina-se algum tabu social”.
Colette Andris, bailarina de striptease dos anos 1920.
Outros trabalhos onde a nudez tem um papel protagonista foram: Glory, de Jeremy Wade, um duo nu que apresenta aos bailarinos arrastando-se e retorcendo-se pelo chão, como signo de vulnerabilidade; Giant Empty e Excessories, de Miguel Gutiérrez, no qual os artistas se tocavam os peitos e os pénis, como mostra de objetuação do corpo; Michael, de Ann Liv Young, no qual o nu é uma metáfora de autenticidade, de naturalidade do corpo; ou NOVA, de Rose Anne Spradlin, onde bailarinos rasgam com tesoiras a roupa a outros até os deixar nus.
Uma variante cênica na que adquiriu grande relevância o nu —especialmente desde princípios do século XX— foi o cabaré, espetáculo geralmente noturno que costuma combinar música, dança e canção —mas que pode incluir também a atuação de humoristas, ilusionistas, mimos e muitas outras artes cênicas -, desenvolvido em salas como Moulin Rouge e Folies Bergère de Paris, onde estrelas como Linopovska e Pouliguen triunfaram com tão somente mostrar os seios nus integrais. Foi nos cabarés que apareceram os primeiros travestis num palco, e onde se representaram as primeiras pantomimas de homossexuais e lesbianas. Neste tipo de espetáculos triunfaram estrelas como Loïe Fuller, Cléo de Mérode e Josephine Baker, que se tornou famosa ao dançar o charleston vestida somente com um cinturão de bananas.
Espetáculos como o cabaré puseram em voga o strip-tease, uma forma de dança na que a pessoa executante se vai tirando a roupa sensualmente ante os espectadores, no que o deleite estético se encontra no fato de se despir com movimentos sensuais, e não na própria nudez. Este tipo de espetáculo fez famosa à célebre Mata Hari em princípios do século XX, enquanto atualmente lançou ao estrelato a figuras como Dita Von Teese e Chiqui Martí, defensora do strip-tease como arte, para o que cunhou o termo strip-art. Igualmente, o strip-tease foi um recurso frequentemente usado pelo cine, como o de Brigitte Bardot e Jeanne Moreau em Viva Maria! (1965), Kim Basinger em Nove Semanas e Meia (1986) e Demi Moore em Striptease (1996).Outros meios
Bettina, modelo pin-up de SuicideGirls, página web de softcore altporn cujas modelos têm um perfil gótico ou punk.
O nu encontra-se presente, além de nos meios artísticos tradicionais, em outros meios de reprodução audiovisual, como a televisão, a publicidade, as revistas e demais meios editoriais, o revista em quadrinhos ou, mais recentemente, internet. A representação de nus dentro de filmes e televisão gerou polêmica durante muito tempo. A nudez integral teve muita mais aceitação no cine e na televisão europeus, onde —em contraste com os seus homólogos norte-americanos— a audiência percebe em geral o nu e a sexualidade como um pouco menos censurável que a violência, outro dos fatores frequentemente criticados nas produções audiovisuais. Contudo, o nu num contexto sexual não pornográfico ficou em muitos países europeus no fio do qual é socialmente aceitável para espetáculos públicos, apesar de que esta situação foi liberalizada no final do século XX: na década de 1970 as soap operas australianas Number 96 e The Box incluíam nus regularmente, e nos Países Baixos o nu foi mostrado em programas de debate como Jensen! e Giel.
As emissoras de televisão e a maioria das companhias de televisão por cabo nos Estados Unidos foram mais reticentes a mostrarem nus, sendo uma exceção a PBS. Quando se transmitem em televisão, os filmes teatrais que contêm nus normalmente se emitem com essas cenas cortadas, ou o nu é ocultado de alguma forma, como com imagens digitais para vestir os atores nus. Alguns serviços de cabo premium como HBO, Showtime e, mais recentemente, FX Networks obtiveram popularidade por, entre outras coisas, apresentar filmes sem retocar. Adicionalmente, produziram séries que não se mostram tímidas com as cenas de nus, como Oz, Sex and the City, The Sopranos, True Blood.
As séries de televisão rara vez mostraram nus atrevidos. Depois do escândalo motivado pelo espetáculo de Janet Jackson no descanso da Super Bowl de 2004 —onde a artista ensinou um peito sem querer—, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos declarou que era hora de tomar medidas drásticas para a televisão diurna, e as nove cadeias norte-americanas começaram a impor uma regra não escrita para evitar qualquer classe de cenas para adultos atrevidas. Contudo, no âmbito europeu o nu é exibido cada vez com maior naturalidade, em séries como: Roma, Espártaco, Os Tudor.
A nudez apresenta-se ocasionalmente em outros meios de comunicação como capas de albumes musicais de intérpretes como Jimi Hendrix, John Lennon e Yoko Ono, Scorpions. Vários músicos de rock atuaram nus nos palcos, incluindo membros de Jane's Addiction, Rage Against the Machine, Green Day, Black Sabbath, Stone Temple Pilots, The Jesus Lizard, Blind Melon, Red Hot Chili Peppers, Blink-182, Queens of the Stone Age, Of Montreal e The Bravery.
Augusto De Luca: "Models", nudes 1980
Em meios editoriais, o nu foi um recurso frequentemente usado como reclamo especialmente para o público masculino, quer em revistas de corte erótico ou em magazines de notícias e reportagens que incluem algumas páginas de modelos despidas, onde é típica a presença de um pôster central desdobrável. Em princípios do século XX as modelos que apareciam neste tipo de publicações recebiam a alcunha de pin-ups, e embora pelo general fossem modelos amadoras algumas adquiriram notável fama, como Bettie Page. Contudo, atualmente este tipo de trabalhos realizam-nos modelos fotográficas, atrizes de cine, cantantes ou top-models do mundo da moda e da publicidade. Algumas revistas dedicadas ao nu erótico atingiram uma grande notoriedade e difusão mundial, como Playboy, Penthouse e Hustler, chegando a desnudar a famosas modelos e atrizes, como Marilyn Monroe, que inaugurou o primeiro número de Playboy em 1953, ou Madonna, que em 1985 apareceu em Playboy e Penthouse.
Outro meio usual de difusão do nu erótico são os calendários, destacando-se pela sua qualidade o Calendário Pirelli, elaborado desde 1964 pela seção britânica da marca Pirelli, e que se caracteriza pela sensualidade das suas imagens.
O nu encontra-se assim mesmo num meio gráfico como a revista em quadrinhos, geralmente numa temática erótica e dirigido para um público adulto. Aqui também existe uma distinção entre erotismo e pornografia, dependendo das imagens, como se percebe no Japão, onde distinguem entre os gêneros ecchi (エッチ), que não mostra sexo explícito, e hentai (変態), que sim o faz. A primeira historieta na que esteve presente o erotismo foi Bringing Up Father (1913), de George McManus, na qual apareciam banhistas jovens. Outra das pioneiras foi Betty Boop, desenhada por Grim Natwick e Max Fleischer entre 1934 e 1937. Nos anos 1960, a incipiente revolução sexual permitiu à revista em quadrinhos erótica superar o moralismo dos 50 por diversos caminhos: na França, foram editadas revistas em quadrinhos de luxo com heroínas independentes e ativas sexualmente, como Barbarella (1962), de Jean-Claude Forest.
A aparição de internet implicou um grande meio de difusão do nu, nas suas múltiplas variantes, do nu artístico ao erótico e pornográfico. Muitas páginas web contam com este tipo de material como reclamo para o público, sendo especialmente demandadas as imagens de personagens famosos - as chamadas celebrity—. Em internet são recopiladas todo tipo de imagens provenientes de revistas, calendários e publicações de moda, além de fotografias feitas especialmente para este meio, existindo um abundante material, sobretudo de atrizes e modelos femininas, com nomes mundialmente conhecidos. O nu masculino é menos frequente, e costuma estar mais restringido a âmbitos homoeróticos. O nu artístico também dispõe em internet de uma ótima plataforma de lançamento, e muitos fotógrafos expõem a sua obra neste meio para fazer a conhecer o seu trabalho

sexta-feira, 26 de julho de 2013

HÉRCULES FLORENCE (1804-1879) Historia Fotografia Brasil.


A verdadeira história da fotografia no Brasil começa em 1832, quando HERCULE FLORENCE, residente na então pequenina Vila de São Carlos (atual cidade de Campinas – interior do Estado de São Paulo), realiza as primeiras imagens fotográficas no país...
O BRASIL NA ROTA DOS PIONEIROS
ANTOINE HERCULE ROMUALD FLORENCE
As fotos mostram Hércules Florence em épocas distintas: 1830? e 1875, respectivamente.
 
 
A França, sem dúvida, foi a “mãe” da fotografia. Mas não se pode definir precisamente o “pai”...
Hoje, graças ao trabalho incansável e obstinado do jornalista e professor BORIS KASSOY, um terceiro nome disputa a paternidade da fotografia: ANTOINE HERCULE ROMUALD FLORENCE, francês de nacionalidade, mas brasileiro de mulher (duas), filhos (20), netos, bisnetos e tataranetos.
KASSOY investiu, entre 1972 a 1976, em uma das mais ardorosas pesquisas e reconstituições de métodos, técnicas e processos já realizadas no Brasil para levar uma pessoa do anonimato ao pódio da história – HÉRCULES FLORENCE, como ficou internacionalmente conhecido a partir da publicação do livro de KASSOY: “1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil” (editora Duas Cidades, 1980).
Em 1976, o historiador brasileiro BORIS KOSSOY divulga publicamente as experiências de HÉRCULES FLORENCE no III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA da PHOTOGRAPHIC HISTORICAL SOCIETY OF ROCHESTER (EUA), comprovando seu pioneirismo. Em 1980, KOSSOY publica ORIGENS E EXPANSÃO DA FOTOGRAFIA NO BRASIL, SÉCULO XIX, pela FUNARTE.
GEORG HEINRICH VON LANGSDORFF (1774-1852)
Alemão de Wollstein (Prússia), nasceu em 18/04/1774. Defendeu de maneira precoce, aos 23 anos de idade, tese sobre obstetrícia. Possuidor de um vasto conhecimento científico e experiente viajante por várias partes do mundo (desde o Havaí ao Japão), buscou na Rússia novos horizontes.
Através de um amigo físico russo, obteve a informação de que o Czar Alexandre I queria patrocinar expedições. Langsdorff não poupou esforços para atingir seus objetivos.
Foi para São Petersburgo, tornou-se membro da Academia de Ciências, mudou seu nome para Grigori Ivanovitch Langsdorff e, em 1812, foi nomeado Cônsul-geral da Rússia no Brasil, tendo chegado ao Rio de Janeiro, em 1813.
O Barão Langsdorff morou no Rio alguns anos sem perder seu grande objetivo de vida: conhecer palmo a palmo este país fascinante em riquezas e biodiversidade.
Organizou a expedição com muita sabedoria e dinamismo. Era incansável e ativo e, suportava com alegria as privações e todas as incomodidades. Fascinado com a natureza exuberante, seus textos são verdadeiras declarações de amor ao Brasil.
Infelizmente, no último ano de expedição, Langsdorff perdeu completamente a razão e a memória devido às inúmeras vezes que contraiu malária. Voltou à Europa, vindo a falecer em 1852, na cidade de Freinburg (Freiburg) – Alemanha, sem nunca ter se recuperado.
EXPEDIÇÃO LANGSDORFF (entre 1821 e 1829)
Em meio ao pensamento positivista, foram organizadas muitas expedições de reconhecimento ao Novo e Novíssimo Mundo...
Essas viagens tinham propostas nobres, metas científicas e humanistas, diferente das anteriores que tinham como finalidade a descoberta de minérios e riquezas em geral para serem levadas à Europa ou expedições religiosas que buscavam catequizar o índios.
Naquela época, o Brasil rumava à Independência...
Comandada pelo naturalista alemão Georg Heinrich Von Langsdorff, Cônsul da Rússia no Rio de Janeiro, teve apoio do governo russo e de autoridades brasileiras, entre elas, o estadista José Bonifácio Andrada e Silva. Iniciou em 1821 e durou oito anos.
Foram, ao todo, 39 pessoas, entre elas os pintores Hércules Florence e Adrian Taunay, o astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, o naturalista Wilhelm Freyreiss e uma equipe técnica de viagem incluindo escravos, guias, caçadores e remadores.
Nota: Alguns narram que o barão contratou eficientes pesquisadores e grandes pintores como Hércules Florence que participou como segundo desenhista, retratando toda a viagem juntamente com Amado Adriano Taunay (Aimé-Adrien Taunay) e Johann Moritz Rugendas...
Em 1824, Langsdorff percorreu Minas Gerais, na primeira parte de sua expedição...
Em viagem pela Província de São Paulo, em 1825, Langsdorff inicia a organização de uma outra expedição, conhecendo em Itu o Dr. Engler; este lhe sugeriu realizar a viagem pelo rio Tietê, até Cuiabá, informação esta confirmada por Hércules Florence. Ainda indicou algumas pessoas com as quais deveria manter contato, como Francisco Álvares de Machado e Vasconcellos, que muito auxiliou nos preparativos...
Resumindo, partiram da fazenda Mandioca no Rio de Janeiro, passaram por São Paulo (um vilarejo de 15 mil habitantes), navegando pelo Rio Tietê e Rio Paraná (SP), depois Rio Pardo, Rio Cuiabá (MT), rumo à Região Norte pelo Rio Arinos e Rio Juruena, atingindo o Rio Tapajós, Rio Amazonas até o Estado do Pará.
A Expedição Langsdorff partiu de Porto Feliz em 22/06/1826, visando atingir o rio Amazonas por via fluvial. Alcançou o porto de Cuiabá em 30/01/1827, mas a viagem só recomeçou em 5 de dezembro, em dois grupos...
O primeiro, com o barão e Florence, subiu o Tapajós e chegou a Santarém em 1º de julho de 1828. Nesse trajeto, o barão adoeceu gravemente, assim como muitos dos expedicionários, ficando mentalmente perturbado (a demência de Langsdorff se deveu a malária).
No segundo grupo, o primeiro desenhista Taunay sofreria pior sorte, morrendo afogado no rio Guaporé. A expedição só se reuniu em Belém, regressando de navio ao Rio de Janeiro, em 13/03/1829...
Todo o trajeto foi registrado sistematicamente nos Diários de Langsdorff, cujos originais estiveram perdidos por vários anos até serem localizados na Rússia... Até então, as informações sobre a Expedição tinham como base o diário publicado por Hércules Florence.
Em todo o caminho, foram muitas as dificuldades. Doenças tropicais (principalmente a malária) prejudicaram inclusive o próprio Langsdorff que, em 1828, perdeu a memória.
Mortes durante o trajeto, devido a perigos fluviais, problemas de incompatibilidade e dificuldades de relacionamento, sobretudo dificuldades financeiras no fim da provisão, transformaram a célebre expedição numa tragédia.
Financiada pelo governo russo, a “Expedição Langsdorff” foi uma das primeiras que registraram a flora, a fauna e a população indígena brasileira.
Dizem que pelos quatro Estados: São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Pará, ele coletou 60 mil exemplares de plantas e enviou para São Petersburgo...
Apesar de todas as dificuldades, estes artistas realizaram inúmeros desenhos em aquarela sobre aves, mamíferos, peixes, plantas, paisagens e índios de nosso país...
A enorme coleção de duas mil páginas de anotações manuscritas, diários, e de registros iconográficos (300 desenhos) e cartográficos, foram dados como perdidos. Somente em 1930 foram encontrados nos porões do Museu do Jardim Botânico, em São Petersburgo.
Nota: Parece que todo este acervo encontra-se, atualmente, em São Petersburgo, na antiga União Soviética.
Hoje, a comunidade científica internacional é unânime em afirmar que esta foi uma das mais importantes expedições científicas que percorreram o interior do Brasil, no século XIX, de grande interesse para as ciências naturais como Zoologia, Botânica, Mineralogia, Geografia, Metereologia e para as ciências humanas como Sociologia, Etnologia, Linguística e Economia.
Com a criação da Associação Internacional de Estudos Langsdorff (AIEL), em 1990, houve o esforço para trazer cópia da documentação da expedição para o Brasil, que agora está disponível para consulta na Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ) e no Centro de Memória da Unicamp (CMU), em Campinas (SP).
Os Diários de Langsdorff, após anos de trabalho, foram publicados em três volumes, pela Fiocruz, com o apoio de diversas empresas. Com base nesta documentação, entre 1999-2000, foi refeita e filmada a Expedição para a Discovery Channel, em parceria com a Grifa Cinematográfica.
A refilmagem dessa Expedição contou com a participação da artista plástica Adriana Florence
A artista plástica, Adriana Florence, é tetraneta de Hércules Florence, pintor e pesquisador na célebre Expedição Langsdorff. Além de retratar e catalogar nossa fauna, flora, costumes e economia, Hércules Florence é reconhecido como o “Pai da Fotografia”. Fone/Fax: (11) 3875-7360 .
Do lado esquerdo da tela “Tucháua – chefe Mundurukú em traje de festa” – agosto de 1828, Santarém – aquarela (25 × 36 cm), Hercule Florence. Do lado direito “Maloca dos Apiaká no rio Arinos” – 1826, Hercule Florence.

 
   
Abaixo (do lado direito da tela), selo postal emitido pela Federação Russa em 23/06/1992, com valor facial de 1 rublo, no tamanho 58 × 26 mm e picotagem 11¾ (Michel: 1822/28, Blb.250), ele foi desenhado por Yu Levinovsky (clicando abre uma folhinha com 9 selos).
Este selo postal mostra o retrato do Barão Langsdorff (com seu nome em russo, o mesmo que Grigori Ivanovitch Glangsdorf) e o mapa da rota da Expedição Geográfica e Científica Langsdorff, ocorrida no Brasil entre 1822 a 1828. Do lado esquerdo, cartão-postal com retrato de G. V. Langsdorff...
 
  
Em 02/06/1992 foi emitida uma série de 4 selos postais para marcar a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e comemorar o Aniversário de 170 Anos da Expedição Langsdorff no Brasil (2nd UN Conference on Environment and Development – 170th Anniv of Langsdorff Expedition). Artista: Martha Poppe. Picotagem: 11½ × 12. Tiragem: 1.500.000 cada selo. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado, fosforescente. Yvert: 2067/2070. Scott: 2363/2366. Michel:
2472/2475. RHM: C-1794/C-1797.
O selo ampliado abaixo, do lado esquerdo, é o último e de maior valor facial (Cr$ 3.000,00 cruzeiros) da série brasileira mostrada ao lado direito da tela, cuja respectiva imagem mostra o retrato do Barão Langsdorff ou Gregory Ivanovich Langsdorff (1774-1852) e a rota da Expedição Geográfica e Científica no Brasil, ocorrida entre 1822 a 1828. Os demais selos, com valor facial de Cr$ 500,00 cruzeiros cada, mostram: o botânico Hercule Florence com flora, o etnógrafo Aime-Adrien Taunay com índios e o zoologista Johann Moritz Rugendas com espécie de primata.
Nota: Ambas imagens dos selos foram utilizadas pelo Grupo Positivo.
 
    
      HERCULE FLORENCE
Hercule-Romuald Florence (Antoine Hercule Romuald Florence) nasceu em Nice (sul da França), em 1804, filho de um médico do exército de Napoleão. Uns dizem que com a ajuda do pai, pintor autodidata, estudou artes plásticas... Outros que sendo de uma família de artistas, tinha habilidade para as artes e para as ciências, e sempre manifestou grande interesse por viagens e expedições.
Segundo uma história, chegou ao Rio de Janeiro em 1824, a bordo de uma fragata francesa comandada pelo capitão Rosamel, que lhe consegue o primeiro emprego na loja de um amigo francês. Trabalhava na livraria e tipografia de Pierre Placher quando soube do anúncio do barão de Langsdorff, que procurava um desenhista para sua expedição. Foi contratado, também por seus conhecimentos em cartografia.

Segundo outra história, sua natureza inquieta e uma insistente falta de emprego o conduzem a um desconhecido Rio de Janeiro, onde chega em 1824 e passa um ano como modesto caixeiro de uma casa comercial e, depois, vendedor de livros. Através dos jornais, descobre a vinda do famoso naturalista russo, o barão Langsdorff, e é aceito como desenhista daquela que viria a ser uma das maiores e mais profícuas expedições científicas realizadas no Brasil dos séculos passados.
De qualquer forma, durante a expedição que percorreu o interior do Brasil de 1825 a 1829, Florence escreveu um diário minucioso com importantes registros etnográficos, informações sobre a fauna, flora, hábitos e costumes do século XIX.
Parte deste relato foi traduzida e publicada por Alfredo dÉscragnolle Taunay sob o título “Esboço da viagem feita pelo Sr. Langsdorff pelo interior do Brasil, de setembro de 1825 a março de 1829”.
Outra parte, com o título “De Porto Feliz à Cuiabá (1826-1827), Diário de viagem de um naturalista da expedição do Barão Langsdorff”, foi publicada em 1929, na Revista do Museu Paulista e, mais tarde, reeditada pela Editora Melhoramentos em 1941 e 1948, com o nome “Viagem fluvial do Tiête ao Amazonas, de 1825 a 1829”.
Um outro manuscrito sobre a expedição faz parte do acervo do arquivo da Academia de Ciências de São Petesburgo, Federação Russa.
A contribuição de FLORENCE à Ciência, às Artes e à História estava apenas começando...
Florence não se limitava a desenhar e escrever, fixou até mesmo a musicalidade do canto de nossas aves em sua pequena monografia da Zoofonia, pois antes da Fotografia, Florence estudou a Zoofonia (sons produzidos por animais; atualmente, estabelecida como Bioacústica).
Em 1829, com o fim da expedição, estabeleceu-se na vila de São Carlos (atual Campinas) e constituiu família.
Em 04/01/1830, a filha única de Álvares Machado, Maria Angélica Álvares Machado e Vasconcellos, tornou-se a primeira esposa de Hércules Florence. Este casamento foi registrado por Silva Leme, em sua Genealogia Paulistana, no Título Oliveiras, v. 8, p. 529, onde foi citado como Antonio Hercules Romualdo Florence.
Dedica-se então à pesquisa de um novo sistema de reprodução, quando inventa seu próprio meio de impressão, a POLYGRAFIE ou POLYGRAPHIA – sistema de impressão simultânea de todas as cores primárias. Assim, descobre a POLIGRAFIA – impressão semelhante a de um mimeógrafo.
FLORENCE gosta da ideia de procurar novos meios de reprodução e descobre isoladamente um processo de gravação através da luz, que batizou de FOTOGRAFIA (PHOTOGRAFIE), em agosto de 1832 (três anos antes de DAGUERRE).
Habilidoso, contudo solitário, no ano de 1833, inventou uma câmera fotográfica rudimentar – utilizou uma chapa de vidro em uma câmera escura, cuja imagem era passada por contato para um papel sensibilizado –, descobrindo isoladamente a fotografia no Brasil.
Foi o primeiro a usar a técnica Matriz: negativo/positivo, empregado até hoje! Conforme seu diário, passou a usar urina, rica em amônia, como fixador...
Foi na casa (ou farmácia) de Dr. Carlos Engler que Florence soube da pesquisa, realizada, na França, por Daguerre, sobre o mesmo processo fotográfico (FLORENCE, 1999; PRADA, 2000), abandonando as pesquisas...
Trabalhou sem descanso no processo de fixação de imagens através da luz solar. Suas anotações e pesquisas são elementos relevantes para nos levar a crer que ele antecedeu Daguèrre na invenção da fotografia.
A anotação em seu diário é bem clara:
“A fotografia é a maravilha do século. Eu também já havia estabelecido os fundamentos, previsto esta arte em sua plenitude. Realizei-a antes do processo de Daguèrre, mas trabalhei no exílio. Imprimi por meio do sol sete anos antes de se falar em fotografia. Já tinha lhe dado este nome; entretanto, a Daguèrre todas as honras.”
Com o falecimento de Maria Angélica, em 1850, Florence casou-se com a alemã Carolina Krug, em 1854.
Hoje, com acerto, Hercules Florence é reconhecido como o pai da fotografia. Florence morreu em Campinas, em 27/03/1879.
A ironia histórica (oculta por 140 anos) é que o processo era mais eficiente do que o de DAGUERRE...
Autor de vários livros, entre os quais se destaca: “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829”, publicado em 1875. Florence criou o vocábulo “PHOTOGRAPHIE” – definidor do processo de impressão de imagens pela ação da luz – seis anos antes do britânico JOHN HERSCHEL – considerado o primeiro a fazer menção à palavra...
Embora não conhecesse o trabalho de JOSEPH NICÉPHORE NIÉPCE, que fixou a primeira fotografia em 1826, Florence pesquisa a gravação de imagens pela ação da luz.
Tal processo, desenvolvido por ele aqui no Brasil, baseia-se no mesmo princípio estabelecido pelo inglês WILLIAM HENRY FOX TALBOT: a reprodutibilidade das chapas (negativo/positivo).
Em 1976, após 4 anos de pesquisas e estudos exaustivos sobre documentação já existente a respeito de Florence, o historiador BORIS KOSSOY conseguiu comprovar em Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, as experiências pioneiras e as aplicações práticas realizadas em 1833 sobre a descoberta isolada da fotografia no Brasil.
Graças à essas comprovações, hoje, qualquer livro clássico e sério sobre história da fotografia inclui a figura de Hércules Florence como um dos grandes precursores da invenção da fotografia...
Em 14/08/1989 foi emitido o selo “Ano Internacional da Fotografia”, com valor facial de NCz$ 1,50 ele mostra o nome de cinco fotógrafos: “NIÉPCE • DAGUERRE • TALBOT • BAYARD • FLORENCE” e imagens de 4 fases da fotografia. Picotagem: 11½ × 12. Tiragem: 1.500.000 selos. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado. Yvert: 1930. Scott: 2203. Michel: 2316. RHM: C-1643. O selo é mostrado abaixo sobre um fragmento de envelope obliterado por carimbo de primeiro dia de circulação, Brasília (DF).
Em 2004, a família Florence comemorou o bicentenário de nascimento de Hércules Florence. Discurso proferido naquela ocasião:
O livro e o trabalho de KASSOY, incluindo a reprodução dos métodos registrados por Florence nos laboratórios do Rochester Institute of Technology, levaram ao reconhecimento internacional do pesquisador franco-brasileiro. Assim, até a França assimilou que a fotografia tem:
MÚLTIPLAS PATERNIDADES...
O professor e pesquisador de fotografia Boris Kossoy lançou, no dia 29/08/2001, a nova edição do livro “Fotografia & História”, pela Ateliê Editorial. A obra, que há muito tempo se achava esgotada, tornou-se referência obrigatória em toda a América Latina, sendo pioneira na abordagem teórica sobre o emprego da fotografia como fonte de pesquisas históricas e sociais. É de Boris Kossoy a comprovação da descoberta independente da fotografia no Brasil, pesquisa que rendeu ampla repercussão internacional.
Boris Kossoy nasceu em São Paulo, em 1943. Arquiteto e pesquisador, é mestre e doutor pela Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1977/79) e livre-docente pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (2000).
Em meados de 1960, Kossoy dividia seu tempo entre a prancheta de arquiteto e a câmera fotográfica. Naquela época abriu o seu primeiro estúdio profissional, dedicando-se principalmente ao retrato e à ilustração. Em paralelo, desenvolvia suas imagens de expressão pessoal: são desse período as criações da série “Viagem pelo Fantástico” (que daria início ao livro do mesmo nome).
Suas fotografias dessa fase encontram-se representadas nas coleções permanentes do Museum of Modern Art e no Metropolitan Museum of Art, ambos em Nova York, Biblioteca Nacional de Paris e Museu de Arte de São Paulo.
Autor, entre outros, do Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro (1833-1910) e de uma recente trilogia publicada pelo Ateliê Editorial, onde disserta sobre a “desmontagem da informação”, Boris Kossoy desenvolve extensa atividade como curador e conferencista. É um nome definitivo para a compreensão da história da fotografia no Brasil.
 “Hommage a Escher”, by Boris Kossoy, São Paulo 2000.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bokeh

Bokeh em uma foto tirada com lente 85mm e abertura equivalente a f/1.2.
Bokeh em uma foto tirada com lente 200mm e abertura equivalente a f/2.8.
Bokeh (do Japonês boke ぼけ, "blur") é um termo usado na Fotografia referente às áreas fora de foco e distorcidas, produzidas por lentes fotográficas.1 Diferentes bokehs de lentes produzem efeitos estéticos separados em fundos desfocados, os quais são freqüentemente utilizados para reduzir distrações e enfatizar o assunto primário.
Índice  [esconder]
1 Origem
2 Descrição
3 Ver também
4 Notas e referências
Origem[editar]
Mike Johnston, editor oficial da revista Photo Techniques, alega ter cunhado a pronúncia bokeh para sugerir a forma correta de dizer para falantes da língua inglesa,2 substituindo a antiga pronúncia boke que deriva diretamente da palavra japonesa para "flocoso" e está em uso desde pelo menos 1996.3
O termo bokeh aparece em livros de fotografia no mínimo desde 2000.4
Descrição[editar]
Apesar da dificuldade em medir, algumas lentes aprimoram a qualidade final de imagem ao produzir, subjetivamente, mais convenientes áreas desfocadas, conhecidas como bokeh. O Bokeh é especialmente importante para lentes de grande abertura, lentes para macro, e longas teleobjetivas, pois estas são tipicamente usadas com uma pequena Profundidade de campo. Bokeh é também importante para "lentes de retrato" (tipicamente teleobjetivas medianas, de 85 a 150 mm em equivalência a 35mm) porque o fotógrafo normalmente selecionaria uma curta profundidade de campo de foco (larga abertura) para desfocar o fundo e salientar o assunto principal.
As características de Bokeh podem ser quantificadas ao examinar os Círculos de confusão da imagem. Em áreas fora de foco, cada ponto de luz torna-se um disco. Dependendo de como uma lente tem sua Aberração esférica, o disco pode ser iluminado uniformemente, mais claro próximo à borda, ou mais claro perto do centro. Lentes que são pobremente aperfeiçoadas nesse aspecto mostrarão um tipo de disco nas áreas desfocadas no plano do foco, e outro nas áreas que se encontram atrás. Isso pode ser, na verdade, desejável, devido ao fato de círculos que são menos iluminados próximo à sua delimitação.
Fabricantes de lentes incluindo Nikon e Minolta fazem lentes designadas com controles específicos para gerir áreas desfocadas. Dentre estas, estão incluídas: Nikkor 105mm f/2, Nikkor 135mm f/2, a antiga Minolta MD Rokkor 85mm f/2.8 de foco variável e automático.
Ausência de bokeh.
Falso bokeh.
Acredita-se que a qualidade de boke é influenciada diretamente pela formatação da abertura. Quando uma lente é configurada em posição diferente da sua máxima abertura, pontos desfocados estarão embaçados na forma poligonal da abertura ao invés de círculos perfeitos.
Entretanto, isto é apenas visível quando uma lente produz os indesejáveis limites agudos de bokeh. Algumas lentes possuem lâminas de abertura com bordas curvadas para fazer com que a abertura aproxime-se mais de um círculo do que de um polígono. Designers de lentes podem também aumentar o número de lâminas para obterem o mesmo feito. As Canon EF de 85mm e f/1.2L - utilizadas freqüentemente para retratos - são um exemplo de abertura quase circular.
Bokeh pode ser aproximado por Software, selecionando-se áreas a ser desfocadas, porém os resultados nem sempre são satisfatórios.
A outra característica de uma lente que a faz produzir convenientes bokehs é complexa. Alguns desenvolvimentos de lentes são conhecidos por gerar um certo efeito de bokeh, mas a maioria dos fotógrafos não entendem completamente como o design das lentes influencia o bokeh; ela mal repara em resultados que a atraz.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fotografia para todos


Para chegar ao público, Eastman decidiu fabricar um novo tipo de câmara. Esta, introduzida em 1888, foi a primeira câmara Kodak. Era do tipo "caixão", leve e pequena, carregada com um rolo de papel para 100 exposições. O preço da câmara carregada, estojo e correia era de 25 dólares. Uma vez feita a exposição, se enviava a câmara a Rochester, onde o rolo exposto era retirado, processado, feitas as cópias e colocado um novo rolo, tudo por 10 dólares. Isto foi uma mudança radical na política da empresa.
O porta-rolo havia sido imposto no sistema fotográfico.
A câmara Kodak havia criado um mercado completamente novo e transformado em fotógrafos aqueles que só queriam tirar fotos e não tinham nenhum conhecimento da matéria. Qualquer um podia "apertar o botão" e a companhia do Sr. Eastman "fazia o resto".
Eastman continuou experimentando para substituir a base de papel. Contratou um jovem químico que fez soluções de nitrocelulose em vários solventes e chegou a produzir uma base de película flexível e resistente.
Em agosto de 1889 saíram para venda os primeiros rolos de película transparente. No início era fabricada estendendo uma solução de nitrocelulose sobre uma mesa de vidro de 66 metros de comprimento e 1.06 metros de largura. Uma vez seca, se cobria com substrato de silicato de soda para reter a emulsão e logo se revestia com uma emulsão de gelatina. A nova película era transparente e sem grandes granulações e podia servir de base permanente para a imagem negativa, evitando-se a descolagem. Além disso, era possível produzi-la em tiras de 66 metros de comprimento. Esta película transparente e flexível de Eastman, junto com o aparelho desenhado simultaneamente por Edison, asseguraram o êxito da cinematografia.
Fotografia para todosEm 1891 se melhorou ainda mais a película transparente para amadores ao colocá-la em carretéis que podiam ser colocados na câmara em plena luz do dia. A câmara não precisava mais ser enviada a Rochester para ser recarregada e os rolos de filme podiam ser comprados praticamente em qualquer lugar.
As câmaras para a nova película se simplificaram ainda mais. A câmara Kodak dobrável, de bolso, foi lançado no mercado em 1898; um fole permitia que se recolhesse a lente. Em 1900 apareceu a primeira câmara Brownie, para crianças, ao preço de um dólar.
O desenvolvimento da fotografia com rolos de película criou uma situação muito diferente daquela até então existente. Antes da aparição das câmaras Kodak e Brownie, o fotógrafo devia ter certa habilidade manual, pois devia processar seus próprios negativos e fazer as impressões e, por conseguinte, estava interessado nos aspectos técnicos. Os novos fotógrafos usavam câmaras simples, para filmes em rolo, sem ter que preocupar com a técnica fotográfica ou com o mecanismo dos equipamentos. Só tinham que fotografar os motivos de seu agrado. A fabricação de filme se converteu em uma operação industrial e o fotoacabamento era feito por milhares de pequenos laboratórios que revelavam o filme e faziam as cópias para os fotógrafos.
George Eastman, com sua câmara nº1
George Eastman,
com sua câmara nº1 George Eastman sempre esteve muito interessado nos avanços técnicos, mas sua maior preocupação foi desenvolver métodos simples, para que o público pudesse ter prazer com a fotografia. Este princípio constituiu sua maior contribuição à indústria. Segundo Charles G. Abbott, "foi uma revolução fotográfica concebida pela devoção de um aficionado".
Em 1923 lançou no mercado o primeiro filme de 16mm em branco e preto, o processo correspondente e a câmara para cinema portátil Kodak. O filme podia ser carregado na câmara à luz do dia; logo depois de exposta se enviava à Kodak para o processamento reversível e se devolvia pronto para ser projetado em casa. Filmar em 1924 já era tão fácil quanto tirar fotos: simplesmente "apertando o botão".
Fotografia para todosEastman queria resultados também na fotografia a cores e trabalhou em vários processos. O primeiro processo Kodacolor (que não deve ser confundido com o filme atual, de mesmo nome) se aproximou dos requisitos procurados e as melhorias continuaram até a fotografia colorida ficar tão simples quanto em branco e preto. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

 Cronologia da tecnologia fotográfica)
 Duhauron, 1877.

 Animação.
Cronologia da tecnologia fotográfica
1825 - Nicéphore Niépce tira a primeira fotografia permanente, uma imagem de um menino guiando um cavalo.
1835 - William Fox Talbot inventa o processo Calótipo e produz fotografias permanentes.
1839 - Louis Daguerre patenteia o Daguerreótipo.
1840 - William Fox Talbot inventa o processo positivo / negativo usado na fotografia moderna.
1851 - Frederick Scott Archer. inventa o processo de colódio úmido.
1871 - Richard Maddox inventa a placa seca usando emulsão de gelatina e brometo de prata.
1872 - Louis Ducos du Hauron tira a primeira foto colorida.
1876 - F. Hurter e V. C. Driffield começam a estudar a sensitividade de filmes(sensitometria).
1878 - Eadweard Muybridge captura o movimento de um cavalo com o uso de várias câmeras.
1887 - Filme de celulóide
1888 - A Kodak lança uma câmera para consumidores comuns.
1891 - Thomas Edison patenteia o Cinetoscópio
1895 - Auguste e Louis Lumière - inventam o Cinematógrafo
1898 - A Kodak lança as câmeras dobraveis.
1902 - Arthur Korn cria um processo prático de fototelegrafia.
1907 - As fotografias coloridas chegam ao mercado com o Autochrome Lumière.
1923 - Harold Edgerton inventa o flash fotográfico.
1925 - A Leica lança o formato 35mm para fotografia.
1948 - Lançada a camera Hasselblad.
1948 - Edwin H. Land inventa a primeira camera instantânea.
1957 - Primeira camera reflex lançada pela Asahi Pentax.
1959 - Lançada a Nikon F.
1959 - A Agfa produz a primeira câmera totalmente automática.
1973 - A Fairchild Semiconductor lança o primeiro chip CCD.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nu artístico.Na Pintura e Depois na Fotografia.

Nu artístico é a designação dada à exposição do corpo de uma pessoa nua em diversos meios artísticos (pintura, escultura ou, mais recentemente, cine e fotografia). É
Considerado uma das classificações acadêmicas das obras de arte.
"Nua sentada num divã" ("La Belle Romaine"), de Modigliani.
A nudez na arte refletiu pelo general os padrões sociais para a estética e a moralidade da época na que a obra foi realizada. Muitas culturas toleram a nudez na arte mais do que na vida real, com diferentes parâmetros sobre o que é aceitável. Assim, num museu no qual se mostram obras com nus, em geral não é aceita a nudez do visitante. Como gênero, o nu é um tema complexo de abordar pelas suas múltiplas variantes, tanto formais quanto estéticas e iconográficas, e há historiadores da arte que o consideram o tema mais importante da história da arte ocidental.nota 1
Embora se costume associar ao erotismo, o nu pode ter diversas interpretações e significados, da mitologia até a religião, passando pelo estudo anatômico, ou ainda como representação da beleza e ideal estético da perfeição, como na Grécia Antiga. A arte foi de sempre uma representação do mundo e do ser humano, um reflexo da vida. Portanto, o nu não deixou de estar presente na arte, sobretudo nas épocas anteriores à invenção de procedimentos técnicos para captar imagens do natural (fotografia, cine), quando a pintura e a escultura eram os principais meios para representar a vida. Contudo, a sua representação variou com os valores sociais e culturais de cada época e cada povo, e assim como para os gregos o corpo era um motivo de orgulho, para os judeus —e, depois, para o cristianismo— era motivo de vergonha, era a condição dos escravos e os miseráveis.1
O estudo e representação artística do corpo humano foi uma constante em toda a história da arte, da pré-história (Vênus de Willendorf) até a atualidade. O corpo proporciona prazeres e dores, tristeza e alegria, e é um companheiro presente em todas as facetas da vida, com o qual o ser humano transita pelo mundo, e pelo qual sente a necessidade de indagar no seu conhecimento, nos seus pormenores, no seu aspecto tanto físico como recipiente do seu “eu interior”. Da sua faceta mais mundana, relacionada ao erotismo, até a mais espiritual, como ideal de beleza, o nu foi um tema recorrente na produção artística praticamente em todas as culturas que se sucederam no mundo ao longo do tempo.
O nu teve desde tempos antigos - especialmente desde as formulações clássicas da Grécia Antiga— um marcado componente estético, pois o corpo humano é objeto de atração erótica, e constitui um ideal de beleza que vai mudando com o tempo, segundo o gosto coletivo de cada época e cada povo, ou até mesmo o particular de cada espectador. A sexualidade aproximadamente implícita destas imagens levou o gênero do nu a ser objeto quer de admiração quer de condenação e recusa, chegando a estar proibido em épocas de moral puritana, embora sempre desfrutasse de um público que adquiriu e colecionou este tipo de obras. Em tempos mais recentes, os estudos do nu como gênero artístico focam-se nas análises semióticas, especialmente na relação entre obra e espectador, bem como no estudo das relações de gênero. O feminismo criticou o nu como uso objetual do corpo feminino e signo do domínio patriarcal da sociedade ocidental. Artistas como Lucian Freud e Jenny Saville elaboraram um tipo de nu não idealizado para eliminar o conceito tradicional de nu e buscar a sua essência para além dos conceitos de beleza e de gênero.2
Atualmente, o nu artístico é amplamente aceite pela sociedade - pelo menos no âmbito ocidental-, e a sua presença cada vez maior em meios de comunicação, cine, fotografia, publicidade e outros mídia, converteu-o num elemento icônico mais do panorama cultural visual do homem e da mulher atual, embora para algumas pessoas ou alguns círculos sociais continue sendo tabu, devido a convencionalismos sociais e educacionais, gerando um preconceito para a nudez, que é conhecido como “gimnofóbia” ou “nudofóbia”.3

terça-feira, 16 de julho de 2013

Fotografia no Brasil .

 A Fotografia no Brasil apareceu nos anos iniciais do Império Brasileiro.
Século XIX
Um dos pioneiros da Fotografia no Brasil foi o pintor e naturalista francês radicado no Brasil, Antoine Hercules Romuald Florence. Florence, que chegou ao Brasil em 1824, estabeleceu-se em Campinas, onde realizou uma série de invenções e experimentos. No ano de 1833 Florence fotografou através da câmera escura com uma chapa de vidro e usou papel sensibilizado para a impressão por contato. Ainda que totalmente isolado e sem conhecimento do que realizavam seus contemporâneos europeus, Niépce e Daguerre, obteve o resultado fotográfico, que chamou pela primeira vez de Photografie Pela descoberta de Florence, o Brasil é considerado um dos pioneiros na Fotografia.
O início da fotografia no Brasil não se pode esquecer do Imperador Dom Pedro II, que foi um fotógrafo apaixonado. O abade Louis Compte em 16 de janeiro de 1840 quando aportou no Rio de Janeiro fez uma demonstração à Dom Pedro II da daguerrotipia (fonte: Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, Rio de Janeiro). D. Pedro II, possivelmente tenha se tornado o primeiro fotógrafo com menos de 15 anos do Brasil, quando no mesmo ano de 1840 adquiriu um daguerreótipo, em Paris.
Augustus Morand , fotógrafo norte-americano (1815-1862), fez as primeiras fotos da família imperial do Brasil, isso ainda em 1840.
 Alberto Henschel: Retratos de uma negra e um negro, c. 1870.
Novas tecnologias vieram, vinda por imigrantes radicados no Brasil, por exemplo o colódio úmido. Estúdios de retratistas se espalham pelas principais cidades brasileiras. O alemão Alberto Henschel abre escritórios em São Paulo, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, tornando-se o primeiro grande empresário da fotografia brasileira. Nesse período, também se destacam Walter Hunnewell, que faz a primeira documentação fotográfica da Amazônia, Marc Ferrez, que produz imagens panorâmicas de paisagens brasileiras, e Militão Augusto de Azevedo, o primeiro a retratar sistematicamente a transformação urbana da cidade de São Paulo. E ainda Victor Frond, George Leuzinger, August Stahl e Felipe Fidanza .
Século XX[editar]
Na década de 1940, dá-se o ápice do Fotoclubismo, movimento que reunia pessoas interessadas na prática da fotografia como uma forma de expressão artística. Os primeiros fotoclubes surgem no início do século XX, mas somente a partir dos anos 1930 passam a ser decisivos na formação e no aperfeiçoamento técnico dos fotógrafos brasileiros.
•Principais fotoclubes: Photo Club Brasileiro, fundado no Rio de Janeiro em 1923, e o Foto Cine Clube Bandeirante, criado em São Paulo em 1939.
•Principais fotógrafos expoentes do fotoclubismo e alguns deles representantes do Movimento Moderno na fotografia: Thomas Farkas, José Oiticica Filho, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, José Yalenti, Gregori Warchavchik (também arquiteto), Hermínia de Mello Nogueira Borges, Nogueira Borges, Geraldo de Barros e Gaspar Gasparian.
A partir do pioneirismo publicitário de Chico Albuquerque, que fez fotos para a primeira campanha publicitária usando a fotografia em 1948, despontam novos autores como Bob Wolfenson, Marcio Scavone, Arnaldo Pappalardo, Claudio Elisabetsky, J.R. Duran, Ella Durst, Miro e Dercilio Vanzelli.
Nos anos 1950, o Fotojornalismo é impulsionado pelas revistas O Cruzeiro e pelo Jornal do Brasil, que passam a dar destaque para a fotografia em suas páginas.
Assis Chateaubriand, diretor da revista O Cruzeiro, contrata Jean Manzon, transformando-a na mais importante do país.
Oriunda do fotojornalismo da revista Realidade (1966), Veja (1968) e do Jornal da Tarde (1966) surge outra leva de grandes fotógrafos, sendo os principais: Claudia Andujar, Geraldo Guimarães, Walter Firmo, George Love, David Zingg e Luigi Mamprim. Luís Humberto faz fotos irônicas sobre a situação do Brasil sob regime militar, apesar do controle da censura. Estes fotógrafos se tornaram ícones da década de 1960 e influenciaram fotógrafos como Orlando Azevedo, Paulo Leite, Ed Viggiani , João Pessoa, André Vilaron, João Noronha, André Vilaron, Thiago Santana, José Bassit e André Cypriano.
Surgem na década de 1970 diversas oficinas e escolas de fotografia no país, como a Enfoco e a Imagem e Ação, em São Paulo, que impulsionam a fotografia de autor. Na falta de lugares especializados para exposições são criadas várias galerias, como a Fotóptica e a Álbum, e surgem grupos como o Photogaleria, no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a intenção de inserir a fotografia no mercado de arte brasileiro.
O jornalismo independente das agências como a Focontexto, F4, Ágil, Fotograma e ZNZ, foi registrado por fotógrafos como Juca e Delfim Martins, Nair Benedicto, Rogério Reis, Júlio Bernardes, Ricardo Chaves, Assis Hoffman,Rosa Gauditano, Emidio Luisi, Milton Guran, João Roberto Ripper, Sergio Zalis, entre outros, que se destacaram na fotografia autoral. Pedro Martinelli, Cristiano Mascaro, Orlando Brito e Hélio Campos Mello somam-se aos destaques da fotografia autoral, ainda que trabalhando para as publicações tradicionais.
Há ainda os trabalhos cuja proposta é a inserção da fotografia com a arte estabelecida e vice-versa, representados por Otto Stupakoff, Anna Bella Geiger, Antonio Saggese, Cássio Vasconcellos, Alex Flemming, Kenji Ota, Cris Bierrembach, Vilma Slomp, Gal Oppido, Claudio Feijó, Milton Montenegro, Penna Prearo, Eustáquio Neves, Flavya Mutran, Miguel Rio Branco e Vik Muniz, entre outros.
 Sebastião Salgado no Forum Social Mundial em 2003
Nos anos 1980, a fotografia brasileira torna-se conhecida no exterior por meio da participação em exposições internacionais e da publicação do trabalho de fotógrafos brasileiros em revistas estrangeiras. Entre os principais nomes do período estão Sebastião Salgado, Cristiano Mascaro, Miguel Rio Branco, Luiz Carlos Felizardo, Hugo Denizart, Cláudio Edinger, Mario Cravo Neto, Arnaldo Pappalardo, Kenji Ota e Marcos Santilli.
Em 1981, Sebastião Salgado é o único fotógrafo a registrar a tentativa de assassinato do presidente norte-americano Ronald Reagan, o que lhe dá grande destaque internacional. A partir de então, Salgado, radicado na França, é reconhecido mundialmente como um dos mestres da fotografia documental contemporânea. Nos anos 1980 e 90, publica grandes fotorreportagens de denúncia social, em livros como Sahel: l’Homme en Détresse (1986), Trabalhadores (1993) e Terra (1997).
A Enfoco - Escola de Fotografia
De agosto 1968 a julho de 1976, funcionou em São Paulo, Brasil, a Enfoco - Escola de Fotografia. Ao ser demitido da sucursal do Jornal do Brasil, em maio de 1968, Cláudio Kubrusly criou a Enfoco. Vários fotógrafos que, posteriormente, se destacaram no cenário da Fotografia brasileira passaram pelos bancos da Enfoco - Escola de Fotografia. Alguns exemplos: Antônio José Saggese, Cláudia Scatamacchia, Dulce Maria Soares, Euclides Sandoval, Gil Monteiro Ribeiro, Hilton Sousa Ribeiro, Hugo Amaral Gama, Josemar Carvalho Ribeiro, Leonardo Crescenti Neto, Lily Sverner, Lúcio Kodato, Luis Sérgio Chvaicer, Nair Benedicto, Paulo Klein, Regina Stella D'Ângelo, Richard Kohout, Roberto de Guglielmo, Rodrigo Whitaker Salles, Rosa Gauditano, Rosely Nakagawa, Stefânia Brill, Suzana Amaral, Tales Trigo, Vera Galli, Vera Roquete Pinto, Zé de Boni (José de Boni)
O Instituto Casa da Photographia
Criada em 1997, então como Núcleo de Pesquisas photográficas, o Instituto Casa da Photographia de Salvador na Bahia, manteve desde a sua criação a proposta de divulgar projetos e trabalhos de novos talentos na área de fotografia, sempre buscando o apoio e a coerência dos próprios photógrafos veteranos, que através de palestras, cursos ou atividades práticas propiciam o aprendizado de técnicas e estilos. Foi a partir do ano de 2001 que a Casa da Photographia passou a assumir mais intensamente a postura de Escola de Fotografia, buscando com isso uma rentabilidade que pudesse assegurar a continuidade de todas as suas atividades, já que a instituição é totalmente privada. Também neste ano foram firmadas parcerias com diversas empresas e instituições públicas (entre elas a Kodak Brasileira) a fim de possibilitar a realizações de projetos como o Falando de Foto, que se aprimorou e passou a chamar-se Modos de Ver. Esse projeto já vai para o seu 5º ano e vem realizando palestras e caminhadas fotográficas com fotógrafos de grande importância para o desenvolvimento e difusão da fotografia na Bahia e no Brasil.Coordenada por Marcelo Reis, fotógrafo de atividade plena, o Instituto Casa da Photographia hoje mantêm cursos técnicos e conceituais. Possui espaço para pesquisas e promove caminhadas fotográficas livres com atividades por várias cidades do recôncavo e demais regiões do estado.O lançamento do site em 18 de junho de 2002 marcou um novo caminho, agora mais longo e infinito, com direção não só ao Brasil, mas ao mundo, principalmente com a nossa grande vedete, a Galeria Walter Firmo, num gesto de agradecimento e homenagem à pessoa e ao fotógrafo Walter Firmo, e pelo que ele vem fazendo por todos nós, fotógrafos e admiradores desta fantástica arte, a Arte da Fotografia. Hoje o Instituto Casa da Photographia mantém parceria com a PINACOTECA DO ESTADO DE RIO DE JANEIRO.
Cronologia
 Marc Ferrez: Jornais, 1899

 Benjamin Abrahão Botto: Virgínio Fortunato e bando NH, 1936-1937
Virgulino(Lampião)
 Agulhas Negras Academia
 Ricardo Stuckert, da Agência Brasil: Resende, RJ - Imagem do desfile dos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras durante cerimônia de entrega do espadim aos novos formandos, 19 de Agosto de 2006
1832 – Hércules Florence realiza as primeiras imagens fotográficas no país.
1840 – Primeira demonstração da daguerreotipia no Brasil e na América Latina, pelo abade Louis Compte. Augustus Morand produz as primeiras fotos da família real brasileira e do Palácio São Cristóvão. O imperador Pedro II adquire um aparelho de daguerreotipia e começa a produzir imagens.
1851 – Os retratistas Buvelot e Prat recebem de Dom Pedro II o título de "Photographo da Casa Imperial".
1853 – Estabelecida no Rio de Janeiro a primeira oficina de calótipo do país, sob direção de C. Guimet.
1860-1900 – Imigrantes europeus trazem as novas tecnologias fotográficas para o país. Marc Ferrez retrata paisagens brasileiras. Militão Augusto de Azevedo a retrata a transformação urbana de São Paulo.
1861 – O francês Victor Frond lança o livro Brazil Pittoresco, o primeiro sobre Fotografia lançado no Brasil e da América Latina.
1865 – Marc Ferrez abre seu próprio estabelecimento fotográfico, a Casa Marc Ferrez & Cia, na Rua São José, 96 , Rio de Janeiro, RJ.
1900 – Revista da Semana publica as primeiras fotos da imprensa brasileira.
1901 – O cartão-postal é introduzido no Brasil pelo fotógrafo Castro Moura, que traz a novidade da França.
1903 – Augusto Malta é nomeado, por Pereira Passos, fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro. Ele é o primeiro fotógrafo oficial da cidade.
1904 – Valério Vieira recebe medalha de prata na Feira Internacional de Saint Louis (EUA) pelo auto-retrato "Os 30 Valérios"
1909 - Primeira edição da revista Photographica
1911 – Augusto Malta registra cenas do Carnaval carioca, dando início ao fotojornalismo.
1922 - Valério Vieira ganha medalha de ouro na Feira Internacional de Saint Louis pela maior impressão fotográfica do mundo, uma panorâmica da cidade de São Paulo de 16 m x 1,4 m.
1923 – Fundado o Photo Club Brasileiro, no Rio de Janeiro
1928 – O engenheiro químico Conrado Wessel funda, em São Paulo, a primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina.
1935 – Fundação da Revista São Paulo (fotojornalismo e fotomontagem)
1939 – Fotógrafos de origem alemã trazem para o Brasil influências da Bauhaus. Destacam-se os trabalhos de Hildegard Rosenthal, Hans Gunter Flieg, Fredi Kleeman e Alice Brill.
1939 – Fundado o Foto Cine Clube Bandeirante em São Paulo
anos 1940 – ápice do Fotoclubismo
1946 – Início da fotografia de autor, destacando-se Geraldo de Barros e José Oiticica Filho.
1947 – Lançamento da revista Iris, a mais antiga publicação brasileira especializada em fotografia ainda em circulação.
1948 – Primeira campanha publicitária usando fotografia no país, pelo fotógrafo Chico Albuquerque que registrou modelo e produto para a Johnson & Johnson, pela agência J.W. Thompson.
1948-1950 – O Museu de Arte de São Paulo (Masp) realiza as primeiras exposições de fotografia, com fotografias de Thomas Farkas (1948) e de Geraldo de Barros (1950).
Anos 50 – Importante papel da revista O Cruzeiro e do Jornal do Brasil para o fotojornalismo. Destacaram-se neste período os fotógrafos: o francêsJean Manzon, Luiz Carlos Barreto, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Luciano Carneiro, José Medeiros, Peter Scheier, Flávio Damm e Marcel Gautherot.
1952 – Lançamento da revista Manchete.
1958 – Chico Albuquerque importa o primeiro equipamento de flashes eletrônicos para o Brasil
anos 1960 – Auge da fotorreportagem no país.
1965 – A Fundação Bienal de São Paulo introduz a fotografia em suas exposições oficiais.
anos 1970 – Surgem inúmeras oficinas e escolas de fotografia no país, como a Enfoco e a Imagem e Ação, em São Paulo, que impulsionam a fotografia de autor.
1973 – Lançamento da revista Novidades Fotoptica, por Thomas Farkas (futuramente Fotoptica).
1970-1975 – Claudia Andujar e George Love desenvolvem o workshop de fotografia no Museu de Arte de São Paulo (Masp), que influencia a produção de dezenas de fotógrafos paulistas nas décadas seguintes.
1976 –Boris Kossoy apresenta as experiências de Hércules Florence no III Simpósio Internacional de Fotografia da Photographic Historical Society of Rochester (EUA), comprovando seu pioneirismo .
1979 – Criado o Instituto Nacional de Fotografia da Funarte (Fundação Nacional de Arte), órgão do Ministério da Cultura.
anos 1980 –A fotografia brasileira torna-se conhecida no exterior por meio da participação em exposições internacionais e da publicação do trabalho de fotógrafos brasileiros em revistas estrangeiras.
1981 – Sebastião Salgado ganha destaque internacional ao ser o único fotógrafo profissional a registrar a tentativa de assassinato do presidente norte-americano Ronald Reagan.
anos 1990 – A fotografia passa a fazer parte de instalações, representando elementos abstratos, como sensações, sentimentos e emoções.
1996 – O Centro de Comunicações e Artes do Senac de São Paulo sela acordo com o Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, para um intercâmbio maior entre fotógrafos americanos e brasileiros.
1997 – O Instituto Itaú Cultural lança o setor Fotografia no Brasil no Banco de Dados Culturais informatizado.
1997 - Em Salvador é criada o Instituto Casa da Photographia dirigida pelo fotógrafo Marcelo Reis. O Instituto é responsável pelo A Gosto da Fotografia, um importante festival de fotografia do Brasil.
1997 - A Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro, através da sua Universidade Politécnica lança o curso de Tecnólogo em Fotografia, o primeiro curso de nível superior em fotografia no Brasil.
1999 – O Senac de São Paulo inicia o primeiro curso de bacharelado em fotografia do Brasil.